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► A Lenda dos Renegados ◄

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► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por ~ Bacon em 23/7/2013, 17:25

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A Lenda dos Renegados


Você deve conhecer a história do Avatar Aang, e talvez de Korra, mas este é um acontecimento totalmente diferente do que você está acostumado. Nesta nova geração o/a Avatar é uma pessoa um tanto egocêntrica a ponto de se achar o dono do mundo, mandando e desmandando em quem quiser.
A maioria dos cidadãos são não-dobradores, e quem poderia se opor ao poderio militar deste ser impiedoso? Ao comando de Laryssa, aparentemente uma ótima dobradora de terra que esconde muito seu sombrio passado, um grupo de adolescentes irá combatê-los sozinhos, de frente para o que der e vier.
Rafa & Yago




Personagens




Rafael:
Rafael
15 years | Renegade | Water Bender
Black Hair | DarkBlue Eyes | Undecided | Timid

Laryssa:
Laryssa
 18 years | Renegade | Earth Bender
Pink Hair | Blue Eyes | Complicated | Cold | Emotive


Yago:
Yago
18 years | Renegade | Fire Bender
Black Hair| Red Eyes | Contracted | Decided




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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por Yatogami em 24/7/2013, 20:30

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Renegados

     Escuro, sem coloração. Meu mundo foi assim, até os dez anos. Até esta certa idade, eu não tinha propósito no mundo, nenhum, nada. O mundo, as árvores, as flores, as casas, as florestas eram todas preto e branco. Não no sentido literal, mas aquilo não importava, eu não importava.
     Lembro-me de meados do meu passado. Frio, sorrisos e felicitações. Neve, gelo, água. Gargalhadas, choros, soluços. Lembro-me de palavras soltas, sem sentido sozinhas. Avatar, terra, fraude. Amor, norte, amigos. Vejo os dentes brancos reluzentes de uma mulher jovem e bonita. Minha mãe?
     Esta é minha sina, mesmo sabendo que estas sensações de nostalgia podem ser apenas alucinações da minha cabeça. Estou louco? Provavelmente sim, mas preciso repassar meus sentimentos, preciso entender o que aconteceu comigo e o que acontecerá.
     Não sei como nem quando, mas atualmente estou residindo no abrigo de menores desacompanhados na Cidade da República. Talvez meus pais não me quiseram mais e me jogaram aqui; talvez eles tenham morrido; talvez, talvez... Preciso parar de fazer suposições, elas me deixam ansioso e confuso.
     O dia em que tudo mudou... Ah, sim, este dia. Era frio, quase tão frio quanto o lugar onde nasci e cresci por pouco tempo. Quase. Fiz meus habituais rituais: rezar para o/a Avatar para arranjar uma família para mim, tomar o café da manhã e passar vegetando por todo o canto - desde que não haja ninguém, sou odiado até entre os órfãos - até chegar a hora do almoço e então repetir tudo de novo até a janta.
     Deveria ser meio-dia quando ocorreu o fato maravilhoso, eu ainda não havia comido nada, estava ficando com fome. Por este e pelo outro motivo de não haver ninguém, deito na minha cama designada de costas para cima e me tapo. Mesmo sendo pequeno para minha idade as cobertas não me cobriam todo e, como já dito, estava frio. Minhas vestes de terceira mão não ajudavam em nada, porém sim, elas pioravam a situação... e muito.
     A sineta de quando alguém entra é acionada. Claro que sei que pode ser uma das monitoras entrando e saindo do orfanato(elas costumam fazer isso como uma má brincadeira com nós as vezes), mas mesmo assim a minha esperança - e a de todos os outros órfãos - é acionada e nos arrumamos um de cada vez nos espelhos do grande quarto.
     Apenas dou uma ajeitada no meu cabelo, ele sempre foi bagunçado. Acho isso bonito, mas as funcionárias dizem que tenho que deixá-lo social, penteado para o lado. É isso que faço. Fico ao menos ridículo, mas gente adulta deve gostar assim.
     Sinto que algo estranho está acontecendo, pois não ouço nenhuma funcionária nos chamar para a entrevista. Está um profundo silêncio, que é quebrado em mil pedaços quando uma figura aparece na nossa porta.
     Mesmo possuindo apenas dez anos sinto algo se "ascender" em mim. Aquela pontada de esperança que tenho começa a se multiplicar, invadir o meu corpo e o preencher com esta emoção. Cores. Tudo volta. A primeira cor que vejo é o rosa fraco de seus cabelos.
     Em seguida vem o vermelho, de sua capa. O branco, de sua pele. O bege, verde, amarelo e marrom, de suas vestes. A moça, não muito mais velha que eu, dá um passo e hesita. Sua estatura é mediana, mas ela é muito bonita. Parece-me que ela tem alguém em especial na mente, mas não sabe quem é.
     - Meninos deem um passo para frente. - ordena. Mesmo tendo uns garotos mais velhos que ela todos obedecemos, quase como se fôssemos hipnotizados - Morenos um passo para frente.

     Todos com o cabelo de coloração preta avançam mais uma fase. Éramos poucos, a maioria possuía cabelos castanhos. Sobraram cinco. Os olhos azuis da adolescente passam por cada um de nós. Com uma expressão confusa ela dá mais um passo e outro em seguida, até ficar a pouco menos de um metro de nós. Mais exatamente, na minha frente e me aponta o dedo indicador.
     - Você, venha! - dou um passo para frente, o que nos deixa a menos de meio metro.

     Os olhos de todos estão vidrados na minha direção. Estou impressionado com esta menina tão corajosa. Deveria ter uns... Treze anos? Era o suficiente, pelo menos para ela.
     - Quem é você?! - grita uma motora, com o telefone na mão (possivelmente ligando para a polícia).
     - Apenas meu nome basta. Laryssa. Estou me renegando à ordem do Avatar, e este menino vem comigo. - diz a garota. Ela me pega pelo braço e vamos correndo na direção da saída, agora interrompida graças à camareira. Sinto uma sensação estranha, como se o chão estivesse subindo, movendo-se, mas associo a sensação com estes estranhos acontecimentos. Estou errado. 

     O chão realmente se move. Não o piso, mas o que está abaixo dele. A terra. Laryssa é uma dobradora. Dobradores são aquelas pessoas que conseguem controlar um dos elementos - água, ar, terra ou fogo. No caso está mais que óbvio qual sua dobra.
     Logo estamos praticamente flutuando em alta velocidade na direção da parede. A garota continua firme, com sua mão esquerda agarrando meu braço. Ela fica ereta e se concentra por um momento. Chegamos de frente à parede, mas a velocidade não diminui, pelo contrário. Laryssa ergue a mão e dá um soco na construção e saímos daquela sala que tanto me atormentou.
     Estávamos alto, mas de súbito o pedaço de terra que estávamos cai e a adolescente pega um impulso com seu pé e pousamos levemente no chão, como se não pesássemos nada. Sem tempo para saber o que está acontecendo, continuo sendo puxado enquanto corremos.
     Por um lado estou muito feliz por isso ter acontecido. Ela é como uma mãe pra mim, ou uma irmã, que seja. Por outro estou confuso. Por que eu? Existiam dobradores ali, e eu sou um simples humano comum, até onde sei.
     Apenas me relembro de quando chegamos à pequena ilhota existente na Cidade da República, onde fica a gigante estátua do Avatar Aang, o salvador antes de Korra dobradora d’água.
     Agora que parei para pensar não sei nada sobre a/o Avatar atual. É um menino? Uma menina? Um homem, uma mulher? Não faço ideia, apenas sei que é um dobradora de terra... Espere, mesmo sendo pequeno e um pouco lerdo para qualquer coisa, eu poderia associar que Laryssa poderia ser a...
     - Não. – diz a menina com uma certa dureza na voz – Não sou quem você está pensando. Quer me conhecer? Fique. Está com medo? Existem outros órfãos, mesmo eu sabendo que você é o certo.

     Fico um tempo em silencio, analisando a situação. Tenho diversas opções, mas escolho a mais óbvia e talvez futuramente emocionante. Sim, claro que eu decidi ficar. Aprimorar-me-ei em batalhas, pois ela parece alguém experiente no ramo. Não é a toa que ela quebrou tão fácil aquela parede.
     Analiso-a. É uma adolescente magra e um tanto pequena para sua idade, assim como eu, mas consegue me superar na altura. Tem aparência de ser frágil, uma dama em apuros, mas pelo que vi é o contrário das aparências.
     - Ficarei, com certeza, mas quero uma coisa... Me diga quem é e o que quer fazer. Ou somente seus planos, já que sua história descobrirei sozinho, assim como a minha. – e é assim que começa uma grande história, uma ótima amizade e uma luta contra as forças de quem julgamos ser do lado obscuro.
     - Nossa missão é matar a Avatar Alice.



...



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Última edição por Sebastian Gremory em 31/7/2013, 18:02, editado 4 vez(es)

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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por Yatogami em 25/7/2013, 17:59

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Evolução

     - Nossa missão é matar a Avatar Alice - dizia Laryssa, com angústia, amargura e infelicidade misturados. Fico um pouco preocupado, pois neste mínimo intervalo de tempo em que nos conhecemos, ela sempre se manteve forte, de nenhuma maneira frágil, e isso pareceu abala-la de alguma forma, mas decido não comentar nada.
      Fico indeciso sobre o que comentar, mas tenho apenas a certeza de que não irei com o pé atrás. Se eu for garanto que voltaria para o tão temível "lugar ruim", como chamo o orfanato onde morei desde que me entendo por gente, se é que posso dizer isso. Decido o mais sábio: apenas concordar com um aceno de cabeça indicando um sim.
       Uma sensação estranha toma conta do meu corpo. Por que eu fui o escolhido? Um simples humano, comum. Como já disse haviam dobradores de todos os tipos lá, e eu não sou um, mesmo querendo muito. Se eu pudesse escolher uma dobra? Esta seria água, por causa das minhas lembranças. 
      - Por que eu? - pergunto, ansioso pela resposta.
      - Você o quê? - sei que ela se faz de desentendida, mas temos um bom tempo considerando a posição do Sol e a maneira como ele faz os olhos azuis de Laryssa brilharem, deixando-os quase vermelhos.
    - Me escolheu - dou uma pausa dramática - Bem, lá existiam dobradores, e parece que você queria a mim desde quando colocou o seu pé direito na sala. Somos crianças ainda, acho  que você sabe que não podemos derrotar a Avatar e sua equipe.
     Novamente a bravura se esvai e ela fica frágil e de certa forma fria em seu interior. De súbito passa para envergonhada e então termina em preocupada. Me admiro que uma pessoa possa mudar seus sentimentos tão rápido em questão de segundos, mas Laryssa consegue fazer isso perfeitamente, além de ficar algo de sua própria natureza.
     - Como assim, você não é um dobrador?! - diz a adolescente, agora com raiva. Estávamos sentados com vista para a cidade inteira, mas ela se levanta e olha com fúria em seus olhos para os meus - Você é Rafael, não é?! Filho de... Um dobrador d'água, sim, você é. Não é?
     Agora ela estava assustada. Mas vamos por partes. Não, não sou um dobrador, sim, meu nome é Rafael. Você conhece minha mãe? Como, onde e quando? Não, infelizmente não sou - é o que respondo a menina, que quase chora por algum tempo.
     - Não posso ter errado... Procurei você por todo o canto e então deduzi que o único lugar que poderia estar era no orfanato. Sei toda a sua história e você a saberá algum dia, mas preciso de sua ajuda, por favor! - ela implora - Sei que você é quem estou procurando. Frio, gelo e água não te trazem lembranças? 
     Como ela saberia de algo tão especial que sempre guardei apenas para mim? Como ela tem a audácia de dizer isso em voz alta, pode ter alguém por aqui! Estou começando a taxá-la como louca, de internar. Mas, tenho de admitir, suas palavras fazem sentido. Frio, gelo e água. Norte.
     - Acho que... Sim, trazem, sempre trouxeram. Nunca as entendi, apenas pensei nelas separadas. Posso ter nascido na Tribo da Água do Norte, mas isso não significa que sou um dobrador, certo?
     - Então está tudo bem. A tal mulher a quem confiei estava certa. - alívio passa pela sua face - Antes de tudo quero estabelecer algumas regras...

     "Primeiro: Não mexa nas minhas coisas. Mulheres são perigosas quando querem; Segundo: Teremos um esconderijo. No dia vinte de cada mês mudaremos para outro; Terceiro: Sempre que precisar, desabafe. Isso pode servir como alguma pista para nossa missão, como agora. Quarto: Não pretendo que esse feito fique apenas entre nós, espero grandes ajudas escolhidas a dedo. E por último, mas não menos importante... Quinto: Sem perguntas que não poderei responder."

     Aceno com a cabeça. Não concordo com a última regra, e tenho algumas sugestões, mas apenas me calo  e ficamos um tempo olhando para a água. Seria eu um dobrador...? Já vi várias vezes os órfãos nas aula. Ficava de longe, observando-os e invejando-os. Uma vez ouvi que para dobrar a água precisa ser uma pessoa um tanto pacífica, mas ao mesmo tempo agitada. É algo difícil para mim, um equilíbrio entre modos. 
     Nunca havia tentado nada. Disseram que eu não era um. Pronto, isso bastava, mas agora eu sinto que, se tentar, conseguirei. Os movimentos básicos são fáceis. Empurrar e puxar, empurrar e puxar. É como se fosse uma dança ou até mesmo um Barco Viking.
     Levanto-me e espero ser a atenção de Laryssa. Quando consigo ser o centro do momento, começo a fazer os movimentos da dobra d'água. Penso no líquido como se isso dependesse da minha vida.
     No momento que "empurro" a água, ou seja, mexo meus braços suavemente como se fosse empurrar algo, alguma coisa muda em meu corpo. Sinto isso quando tenho a sensação de uma pontada de frio a mais que o normal, começando pelo extremo do meu dedo indicador, espalhando-se por todo o corpo.
     Não me mexo depois disso, apenas "puxo" a água e a sensação fria se esvai de meu corpo completamente. Acho que isso é necessário, um avanço. Conto à Laryssa e ela diz ser assim mesmo, mas tenho a impressão de que ela disse apenas para me contentar. 
     Repito o movimento de puxar e empurrar mais duas vezes. Os resultados são os mesmos. Estou quase desistindo, quando a menina ao meu lado fala:
     - Tente pensar na água, tente ser ela. Isso me ajudou com a terra. Por isso sou durona - prefiro não falar que as vezes ela parece muito abalada apenas por educação. 
     É o que faço. Deixo o líquido dominar minha mente, e enquanto faço o movimento de empurrar e puxar como um ultimato. Quando a primeira parte é feita, a sensação é diferente de antes. O mesmo frio invade meu corpo, mas me dá uma maior força para continuar e então puxo toda a água de volta, fazendo o frio sair.
     Ao mesmo tempo fico observando o mar que nos rodeia. Ele vai se mexendo; ele está me obedecendo. Quando empurro, ele vai, quando puxo, ele volta. Tento elevá-lo e ele sobe, mas desmancha-se e me molha.
     Não me importo em estar molhado, isso é ótimo! O mundo gira ao redor da minha cabeça e, quando vejo, estamos no nosso primeiro esconderijo. Meus dez anos se foram há muito tempo atrás, mas lembro-me muito bem de tudo.
     Hoje possuo quinze. Ainda não sei nada sobre meu passado, mas uma coisa posso afirmar com certeza. Eu nasci para ser um ótimo dobrador d'água. Combates corpo-a-corpo também me apetecem, tive uma ótima instrutora, se assim posso dizer.
     Laryssa e eu ainda procuramos nosso grande objetivo, matar a Avatar. Laryssa e eu ainda pegamos pequenos bicos, mas este será algo grandioso. Laryssa e eu, nós, iremos matar o Comandante Oficial da Marinha, o segundo maior dobrador de fogo da atualidade. Você deve estar se perguntando quem é o primeiro... Claro que é Sarah, a guarda da Avatar. Conheço todos eles agora. Sabemos tudo sobre todos.
     Sarah: dobradora de fogo; é completamente nervosa. Ryan: dobrador de água; é calmo, mas adora uma luta. Gabriel: dobrador de ar; é o mais novo de todos, mas foi escolhido a dedo entre os poucos dobradores de ar. E, por fim, Yanna: dobradora de terra; é a que menos tem aula com a Avatar, mas uma das mais fortes.

     Eles evoluíram nestes cinco anos que se passaram. Nós evoluímos. Nós estamos prontos para contra-atacar. O pedido para a morte do Comandante é apenas o início da queda de Alice, a Avatar.
...



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Yatogami
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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por ~ Bacon em 26/7/2013, 18:04

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Peço Redenção ao Passado

     “Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.”... Como já dizia um grande sábio da época, e não, eu não queria me tornar um monstro, já era taxado como ser um por alguns grupos, pelo simples motivo de comandar a Marinha e ser um dos mais fortes dobradores de meu elemento. Mas vamos do começo, está bem?

     Anos... Não muitos, porém o suficiente para ter mudado minha vida. Possuía treze na época, sempre fui um garoto um pouco mimado, só não mais, pois sempre fui deixado de lado. A família sempre deixou claro sua favorita, Sarah, uma prima não muito próxima, nem distante, mas basicamente foi quem atrasou minha vida de alguma forma. Sempre tentei ser o melhor, ou estar entre esses e em uma dessas tentativas acabei por perder-me dos outros alunos e entrar em uma aula de dobradores de terra. Inicialmente os garotos do local que eram mais velhos que eu, tentaram me intimidar, mas por eu ser o que era, um nobre, se assim posso dizer, ignorei-os... Ao fundo da sala meus olhos vermelho-sangue batem nos azuis de uma garota com cabelos rosa. Ela era única dentre aqueles dobradores, eu sentia.

     A Cidade da República... Quem diria, possuía pessoas tão belas quanto eu, desculpe por me achar, mas é a pura verdade. A moda era ser praticamente careca e isso não se aplicava a mim, cabelos longos e negros.

     Aquela garota que tinha visto anteriormente era mesmo a mais bela que tinha visto desde a morte de minha mãe, porém agora deveria sair dali antes de arranjar encrenca e, por sorte, ou não, aquela bela moça de cabelos rosados olhou para mim. Não sei como, mas aquele olhar me disse algo inesperado, o qual logo saberia o significado.  Antes mesmo de poder me retirar daquele recinto ela apareceu empurrando os garotos que tinham o dobro do tamanho dela, assim como eu, ela era baixa, mas nem tanto, batia em meu ombro e parecia irritada com minha presença.

     “Desculpe-me”, foi à única expressão que pude dizer, sabia que estava errado. Por sua vez, a menina me puxou pelo braço, levando-me para outro lugar que não a “escola”. Parecia um largo campo florido, não costumava ir para aquele lado da cidade, era destinado a ser o novo Comandante da Marinha algum dia, assim como meu pai, então vivia meus dias junto com outros jovens dobradores de fogo, que odiavam tais lugares, felizes, por assim dizer.

     Ainda me lembro daquele momento... Meu coração batia mais rapidamente, nunca tinha sentido isso por ninguém, mal escutava o que ela dizia. Só me lembro dela falar algo sobre virar uma renegada e precisar que eu não conte a ninguém, não sei de onde ela tirou essa confiança de mim, mas adorei naquele momento, principalmente a parte em que ela colocou seus lábios em meu rosto, um leve beijo, o qual marcou minha vida até hoje... Sim, ainda era um homem de honra, de acordo com as atuais normas, mas já sabia de muitos podres do novo Avatar e de seus protetores, dos quais minha prima fazia parte. Aquilo me tirava do sério...

     Isso mesmo, eu não tenho muitas memórias depois daquele acontecimento, parece que a vida se tornou algo duro comigo. Tive que duplicar e até triplicar meus treinamentos até completar a minha idade atual, mas nunca esqueci aquela garota, todas as noites tenho sonhos com ela, até mesmo pesadelos, mas não paro de pensar na pessoa que hoje deve ser uma grande mulher e uma grande dobradora de terra. Ser uma renegada não deve ser fácil para ela...

     Bom, para mim nesse momento era a única opção. Secretamente odiava – odeio – o Avatar, mesmo sendo controlado pelo mesmo. Quero me tornar um renegado; quero que Laryssa, a garota de cabelos rosados, me encontre para determos o/a Avatar, que já dava ordens para matar todos, sendo uma Nova Era para ele, ou ela. Que, no caso, queria tornar o mundo uma propriedade sua, mandando e desmandando em tudo e todos. Sei que não poderia contra seus guardas e até mesmo contra ela.

     Dia 21 do primeiro mês anual do calendário deste mesmo ano, a coisa ficou séria. Algumas ordens bobas – eu rejeitava. Assumi totalmente a Marinha neste ano, meus dezoito, onde me torno independente. A primeira coisa que pensei ao enfim olhar o horizonte do mar fora a memória daquela garota de cabelos rosados, a qual possuía seu nome bordado na alça de sua mochila, atravessada pelo busto que não era assim, tão avantajado, porém ela realmente mexeu comigo e quero reencontrá-la de alguma forma.

     Com tantos anos vivendo aos pés dos grandes, vivendo junto com grandes pesquisadores e até mesmo comandando eles, pude assim ter algumas notícias daquela que hoje é uma grande mulher que nega o/a Avatar e sua soberania, que assim como eu, estava à mercê de ataque dos subordinados ao Avatar, porém era algo secundário ter de lutar contra eles. Segundo algumas notícias recebidas, Laryssa estava treinando um garoto mais novo e preparando ele para batalhas difíceis, as quais espero que sejam contra os quatro guardas e o poderoso Avatar, único que possui todos os elementos em fácil comando.

     Teria que me esforçar muito, crescer muito para um dia chegar aos pés de tal poder, quem sabe aprender alguma nova forma do elemento fogo, mesmo sabendo que isso é praticamente impossível para um dobrador de fogo simples como eu, mas digamos que quando realmente se quer... Realmente é possível, mesmo que os outros digam que NÃO, eu digo que SIM. É possível vencer a peça mítica que controla tudo.


     O cheiro do fogo... A cor cinza da fumaça... O sentimento de perda... A dor e o alivio juntos... Essas eram as únicas coisas que me lembravam para o que realmente eu vivo... E por isso eu, Yago, o mais novo Comandante da Marinha, escrevi uma carta para a mulher mais linda que já vi pedindo minha “morte” anonimamente.
"Visão de Yago"



danke ♣

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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por Yatogami em 27/7/2013, 20:54

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O Sangue do Inimigo

     Vinte de agosto. Lua-cheia. Algumas pessoas tem medo deste estado da Lua, já eu, o amo. É quando nós, dobradores de água ficamos mais fortes, muito mais fortes. Tão habilidosos a ponto de conseguir controlar o sangue de uma pessoa. Isso mesmo, o sangue.
     De acordo com pesquisas este líquido vermelho que circula por nosso corpo é formado de 90% de água. Apenas ótimos dobradores conseguem esta façanha. Adivinhe... Meu nome está entre eles. Rafael, o dobrador de sangue. Isso soa muito bem.
     Mas enfim, este é o dia em que Laryssa e eu vamos matar/prender/torturar/abandonar Yago Chahad, um ótimo dobrador de fogo, de seu importante cargo de Comandante da Marinha. Este é o nosso primeiro passo em direção à queda da Avatar. É a nossa primeira missão de verdade, sem falar da recompensa, é a melhor de todas!
     Pelo visto nossos nomes estão ficando famosos pelas ruas. Alguns cartazes de "procurados" aparecem as vezes, mas nós os arrancamos. É uma honra saber que Alice tem medo de nós, ou ao menos parece ter. Mas, sei que ainda precisamos treinar muito.
     - Se apresse! Não podemos perder um minuto. Segundo a carta temos de estar lá às dez horas em ponto, e são nove e meia! - diz Laryssa, apressada, enquanto pega seu sabre para batalhas. O sabre está dobrado, mas quando ele sente uma batalha vindo expande-se até ficar do tamanho normal, o que é quase um metro de comprimento.
     - Já estou pronto - grito de volta. Nesse tempo que passamos nos escondendo aprendemos que não há ninguém pela vizinhança, mas mesmo assim temos de tomar cuidado. Estou ansioso por esta batalha. Será em um navio, no meio do ar. Espero ser muito útil, pois Laryssa não conseguirá dobrar a terra neste lugar, já eu estou cercado de água.
     Porém, ela é muito boa. Com ou sem "poderes especiais". Seu sabre já basta. Já eu não tenho nenhuma arma, mas estou aceitando alguma de presente quando aparecer. 
   Saímos por entre as sombras, mesmo sem estarmos sendo observados. Acho que, hoje em dia, isso é mais um costume do que uma necessidade. Caminhamos cerca de um quilômetro até o mar e, ao longe, vemos o tal navio. Está exatamente no lugar onde deveria estar. Laryssa faz um sinal com a mão e eu o interpreto de maneira correta.
     Vamos com uma certa leveza sobre a areia da praia e, quando a água salgada encosta em nossos pés, vou mexendo minhas mãos, formando um círculo. Neste momento, a água do mar começa a ter o formato que eu desejei: uma circunferência de ar. Entramos nela e vamos nos aprofundando no oceano.
     - Tem certeza de que isso é seguro? - pergunta Laryssa, preocupada, pois não estava vendo nada, apenas escuridão.
     - Sim, estamos quase no fundo do mar. Está tudo bem com a pressão e com o oxigênio desde que um animal grande não fure nossa "bolha". - digo, com um sorriso. 
     Começamos a emergir e já vimos a polpa do navio. É enorme, mas sem comparações com alguns que já vi em outras ocasiões. De acordo com a encomenda, este é o lugar e este é o navio. Emergimos completamente sobre o mar, e agora eu me concentro e giro junto com meus braços, fazendo a água erguer-se para Laryssa e eu cairmos dentro do barco.
     Com minha dobra deixo nossas roupas secas. Foram molhadas quando "entramos" no navio. Observamos o local. Como esperávamos, estava vazio.
     - Rafa, preciso de mais um impulso para chegar à parte mais alta do navio, você sabe - Laryssa diz.
     - E eu? - pergunto, ansioso.
     - Você fica aqui embaixo para qualquer eventualidade que venha acontecer - diz, fria. 
     - Mas, mas... Eu pensei que dessa vez eu fosse ajudar! Estamos no meu território, você está sem nada, apenas com seu sabre e a dobra dele é fogo! - digo suplicante.
     - Desculpe... Prometo que da próxima vez você faz a parte mais importante, mas tenho medo que você não seja páreo. Ele é o Comandante da Marinha, sabe? - Laryssa dá uma pausa - Além que tenho coisas pessoais a resolver com ele.
     - Tudo bem... - digo com um tom triste, mas forço a água a subir até onde estamos, então Laryssa "entra" nela e novamente dou um impulso e ela saiu "voando" na direção da cabine do Comandante. Foi um pouco forte demais, mas ela usou isso como uma ajuda para pegar força e quebrar o teto, fazendo o maior estrondo possível.
     Segundo a encomenda, ele estaria sozinho aqui. Tenho certeza que está, queria muito participar da batalha... Sempre fico para trás, Laryssa me usa apenas para curar seus ferimentos com minha dobra. As vezes isso me irrita, mas ela me salvou. Sinto que terei um papel importante nessa história. Em geral é diferente, somos amigos, mas quando se trata da Avatar... Ela vira outra pessoa.
     Estou caminhando de um lado para o outro no convés, quando uma coisa me chama atenção.  De início não consigo identificar o que é, mas logo vejo. São olhos. Olhos castanhos, mas não são bonitos, são o mais comum possível. Eles estão... em chamas? Sim, estão. O possuidor destes olhos, ou possuidora está parado, apenas me observando. O quanto teria visto?
     - Quem é... - sou surpreendido com uma imensa chama vindo em minha direção. Dou um pulo para trás, tentando sair do navio e cair no mar, mas esta tentativa e falha quando sinto meu braço esquerdo se queimar. Não queimou muito, mas foi a pior dor que já senti.
     Caio de bruços no chão. Como pude ser tão besta a ponto de não atacar? Não quero ser a Dama em Apuros para Laryssa me salvar novamente. Eu mudei, eu evoluí. Corro na direção contrária deste dobrador de fogo que, segundo fatos, não estava para conversa.
     Dou um pulo para o oceano. Como esperado, minha queda não me afeta, muito pelo contrário, fico um tempo debaixo da água para acalmar um pouco a queimadura e, quando o dobrador de fogo acha que eu fugi, pego um impulso e volto para o convés novamente.
     Sem perder tempo, uso a água da minha roupa encharcada para dobrar. Comandando com as mãos, crio uma lâmina com o líquido que vai forte e rapidamente na direção do dobrador. Ele dá apenas um fraco soco com a mão e dela sai uma pequena rajada de fogo, que é facilmente apagada por minha dobra.
     O rosto do homem - agora identificável - ficou preocupado e, como faltava pouco para a lâmina pegá-lo de jeito, teve de pular, mas mesmo assim foi atingido na região das costelas. Pagou feio por ter me subestimado.
     Aproveito que ele está caído para trazer mais água para o convés. Tudo por toda a parte fica molhado. Vejo o homem se levantando. Ele deve ter mais ou menos a idade de Laryssa pelo que aparenta, talvez mais velho. 
     Ele me dá as costas. Estou apavorado. Vai desistir? Está blefando? De qualquer forma, fico em posição de ataque, tenho que esperar qualquer coisa dele. 
     De repente acontece o que eu estava supostamente esperando. O homem levanta uma de suas mãos e usa o piso molhado para virar-se mais rápido em minha direção e apontar sua mão com uma espécie de... Fogo azul?! Não sei o que é, mas vem rapidamente em minha direção. Tenho uma pequena chance de me proteger com a água ao meu redor. Ergo os braços o mais rápido possível em forma de proteção.  
     Apenas uma pequena porção me "obedece" e se prontifica para me salvar. Um barulho muito estranho acontece, e então vejo faíscas azuis saindo da bolha d'água que me protegeu. Aquilo era... Aquilo era relâmpago?! Bem que Laryssa já tinha me dito que alguns dobradores de fogo conseguem dobrar o raio... Bom, é agora que a coisa fica mais interessante! 
     Já tenho em mente tudo o que está programado para a batalha. Pego mais água do mar para não gastar a do chão e levo-a na direção do meu oponente. Ele, como vê que não é um ataque e ainda acha que sou muito inexperiente não faz nada e se deixa levar pela correnteza. Prendo a água nele, e aí o homem começa a ficar um pouco preocupado. Sinto a sensação de frio que dobrar este líquido me permite. Faço com que o frio aumente e, assim, congelo a água que o inimigo estava preso.
     Apenas sua cabeça fica por fora do gelo. Sei que em poucos minutos, ou talvez até segundos ele descongelará aquilo, mas foi preciso.
     - Me diga quem é e o motivo de ter me atacado - digo, tentando por medo no homem, mesmo sabendo que não daria certo. Ainda tenho a face de criança.
     - Sou Fernando. Fernando Guedes. Assistente do Comandante da Marinha, prazer - diz ele, com certo rancor na voz - Apertaria sua mão se fosse em outras circunstâncias, mas fiquei sabendo desse pedido louco do comandante de encomendar sua suposta morte.
     "Tentei impedir quem viesse, mas pelo visto foi tarde de mais para mim... Assim como será para você!" - dizendo isso Fernando usa o fogo para derreter o gelo e após isso, em um mínimo tempo, sopra a maior quantidade de chamas em minha direção que pode. Em um movimento rápido contenho algumas. ALGUMAS.
     Sinto meu corpo queimar. Não todo, mas algumas partes, principalmente braços e pernas. Pego a água espalhada pelo convés e a ponho em mim, usando a dobra da cura para deixar a dor se esvair por um momento.
     Levanto-me e olho para aquele homem com uma raiva imensa. Penso em cravar-lhe uma estaca de gelo no coração. Morreria. Penso em afogá-lo na água, sem chances de sair. Morreria. Então, tenho a pior melhor ideia de todos os tempos. O farei sofrer.
     Ergo minhas mãos como se fosse controlar um boneco de ventríloquo. Penso na água e no frio que ela me intensifica. Penso no calor, então o vapor vem em minha cabeça. Um pouco mais e apenas vejo sangue. Fernando estava se preparando para um chute de fogo. Mexo meu mindinho direito. Ele balança seus braços.
     Mexo todos os dedos juntos e sinto alguns dos ossos de Fernando se quebrarem. Seu estado ainda não estava mortal, ele tinha como entender o que eu dizia, então falo logo:
     - Valeu a pena ter tentado me queimar? - digo, agora com os braços imóveis, apenas ergui-os um pouco para Fernando flutuar.
     - Aaah, aaaaaa! - tenta dizer ele, mas não permito, elevo todo o sangue para cima. 
      - Concordo com você - digo, mexendo minhas mãos e colocando-o para fora do convés, fora do navio.
     Ele está chorando. Muito, isso que é um homem adulto de uns... Vinte anos? Para mais. Ele pede perdão. Fico entre jogá-lo no mar ou não. Tenho a excelente ideia de apenas derrubá-lo no mar e, se for digno, achará o caminho para a terra. É, me parece a melhor ideia.
     Esqueço o sangue que impregnava minha mente. Esqueço o vapor; volto simplesmente para a água. Vejo um corpo inerte cair mar adentro. Não me sinto culpado, esta era minha missão, proteger Laryssa, e foi o que fiz. Fico até mesmo contente comigo mesmo.

...



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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por Yatogami em 29/7/2013, 22:37

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Aliança

     O impulso foi um pouco exagerado. Sei que Rafa ficou bravo comigo, mas fiz isso apenas para o seu bem. Espero que o pedido esteja certo quanto ao número de pessoas no navio, apenas o Comandante. Com plena certeza o dobrador d'água não seria páreo para o de fogo, mesmo com esta Lua. 

     Aproveito que o impulso foi bom para concentrar minha dobra em minha mão direita. Tudo bem que não tem terra por aqui, mas sendo como sou, esta dobra possui algumas vantagens em relação à força. Olho para um ponto fixo, onde, segundo meus cálculos e experiência cairei. Estou forcejando minha mão para dar certo sem que eu me machuque. Se qualquer coisa der errado a missão está falha. Pego meu sabre para qualquer eventualidade, desisto de tentar a sorte sobre machucar a mão. Estou a poucos centímetros do teto e...

     BUM! É o barulho que faz quando meu soco entra em contato com o teto da parte mais alta do navio, onde com plena certeza estaria o Comandante. Para minha sorte - ou azar - não é apenas o meu "ponto fixo" que despenca, mas sim o teto inteiro. Por meio aos escombros, vejo uma chama consumindo tudo o que quebrei. 

     Fico imóvel, esperando uma reação do dono daquele sorriso malicioso que me encarava. Com plena certeza o conheço; Yago. Não contarei nossas histórias, você provavelmente as conhece. Após o crepitar do fogo ter terminado, ficamos em silêncio.  Quebro-o quando aciono meu sabre e ouço a boca do homem de capa vermelha ser aberta para começar a falar. Provavelmente abobrinhas:

     - Boa noite, Laryssa!- diz, em um tom irônico, casual e tímido ao mesmo tempo - Quanto tempo... !

     - Olá, é verdade... Quanto tempo, aliás, vim aqui para te matar - digo com um sorriso estampado na face.

     - Creio que seja verdade... sim - diz Yago, agora se encolhendo um pouco em sua poltrona. Era vermelha, assim como sua capa e seus olhos; todos da mesma coloração.

     Em um rápido movimento ele abre seus braços. De súbito acho que seria para um abraço - qual outro motivo teria? - mas então, ele fala:

     - Mate-me, a vontade - primeiro acho que ele fala em um tom de ironia, novamente, mas seu rosto estava sério. Como sempre, Yago não estava muito para brincadeiras - Afinal, quem chamou você aqui fui eu. 

     Sinto como se tivesse levado um choque elétrico. Ele havia feito o pedido? Queria morrer ou apenas falar comigo? Mil coisas passam pela minha cabeça e sinto ela girar. Por quê? Por que eu? Este menino já mexeu muito com a minha vida, será que ele não consegue parar?

     Olho para sua face. A mesma de sempre; tão jovem, tão branca... Ele tem a mesma idade que eu, mas parece mais velho, mais vivido. Tem história, tem tudo o que quer. É o Comandante da Marinha do Avatar! Daquela... Alice. As vezes penso no quanto a vida é injusta. Quero mudar isso, quero fazer o mundo mais justo, assim como fizeram os Avatares anteriores e como os atuais e os posteriores devem fazer. Tenho ideias e tenho a vontade. O que mais me falta? 

     - Astúcia! - responde Yago, como se estivesse o tempo todo lendo minha mente, o que é uma ideia ridícula, mas o falatório não para por aí - É o que precisamos. Sem este elemento chave não vamos à lugar nenhum. 

     - Por que está dizendo isso a mim? - pergunto com uma ponta de curiosidade e outra de esperança em minha voz.
     Ele dá de ombros. Não tenho certeza do que significa, mas acho que, como nos tempos antigos, posso confiar nele agora.

     - Agora sei o motivo de ter me chamado... - digo, tentando impressioná-lo.
     - Achei que fosse entender mais rápido - diz e, com uma pausa de pouco tempo, continua - Precisamos nos unir. 

     - Como saberei que não está me enganando? - indago de forma certeira e direta. Era o que ele queria que eu perguntasse, tenho certeza.
     - Simplesmente aceite batalhar comigo! - diz, com um sábio sorriso.

     - Por que batalharíamos se seremos aliados? Para passar o tempo? Por favor, não somos mais crianças! - a irritação me consome.
     - Ora, é nossa única opção... - diz Yago e aponta para o lado com o dedo indicador. 

     Olho para a direção indicada e vejo nada mais, nada menos, que duas dos quatro guardas do Avatar. Reconheço-as facilmente. Sarah, a mestra dos raios. Ela é um pouco mais alta do que imaginei e bem corpulenta, mas sua face era exuberante e bela. Ao seu lado estava Yanna, o dragão de terra. Sempre soube que sua beleza era extrema, mas fiquei um pouco decepcionada com o que vi. A maioria de suas fotos eram editadas, pelo visto. Não era feia, lógico. Mas não posso analisar a fisionomia de uma pessoa na hora de uma luta.

     - Pensei que nunca fossem nos descobrir - diz Sarah. Ela olha com terror e desafio para Yago. Eles se conheciam?

     - Creio que você deveria realmente tentar se camuflar se quisesse se esconder de mim, querida prima - rebate Yago com sua voz forte.

     - Alguém pode me dizer o que está acontecendo? - pergunto nervosa e atônita. Sei que acontecerá uma batalha. Será três contra um ou dois contra dois. Ainda não sei.
     - Querida, aconselho-te a calar-te - diz a outra dobradora de Terra - Seu amiguinho, aquele lá embaixo já foi, faltam apenas vocês dois e a resistência acaba - diz com um sorriso amarelo no rosto.

     Ela estaria falando de Rafa...? Se sim, não me perdoarei. É claro que ele não é páreo para duas das guardas juntas, mas o estranho é que não ouvi nenhum ruído de batalha lá embaixo e elas acabaram tão rápido assim com ele...? Ao menos teria uma resistência, certo? 

     Está tudo muito silencioso. Se Rafael estivesse lá, haveria tanto barulho que seria quase insuportável. Um fogo vai subindo por entre meu corpo. Primeiro acho que é o calor da batalha, mas então vejo que é fogo mesmo! Maldita Sarah!

     Yago mexe a mão e o fogo sai de mim. Como esperado, minhas vestes resistiram. Vim preparada para isso. Novamente faço meu sabre ficar de prontidão e parto na direção de Sarah, a dobradora de fogo.

     Ela aponta o dedo para mim e, como esperado, um raio de coloração azul, muito confundido com fogo azul vem na direção dos meus olhos de mesma coloração. Me atiro no chão e aquilo passa zunindo por minhas costas. Me levanto com um pulo e continuo indo para a frente, mas sou interceptada por uma parede de madeira, que logo noto metade do piso do ambiente em que estávamos.

     Yago levanta-se neste momento para batalhar, mas sua prima, Sarah, é mais ágil e lhe dá um soco na barriga com sua mão pegando fogo... Literalmente! Estamos perdendo feio. Agora estou cara a cara com Yanna. Nossas dobras são as mesmas e ela é a melhor. O mesmo acontecia com Sarah e Yago, estavam brigando intensamente para ver quem controlava melhor o fogo, mas a menina era melhor e mais habilidosa, mesmo o ex-comandante sendo ótimo. Ela dobrava o raio.

     A diferença entre a outra dobradora de terra e eu não era muito grande, mas aqui não há terra. Aqui há o meu sabre e nada para ela! Vou como uma perfeita espadachim em sua direção, mas me surpreendo quando ela cria uma barreira de terra e me prende. Da onde ela tirou tudo isso?!

     Penso por um mínimo momento e chego à uma conclusão. Ela consegue dobrar a poeira, criando assim partículas de terra. E é aí que vejo o quanto separa nossas dobras. Que carta a mais ela tinha nas mangas?

     Descubro rapidamente que são muitas. Tantas que eu não daria conta. Controlo a terra ao meu favor e faço uma lança com a mesma, porém, ao invés de atirar em Yanna, atiro-a em Sarah.

     Ela não consegue desviar. Fica muito brava com minha atitude e, por fim, põe fogo na peça inteira em que estávamos. As chamas eram tão intensas que conseguiram flamejar meu traje anti-chamas. Conseguiram queimá-lo, conseguiram me queimar. Sei que Rafa cuidará de mim depois, se ainda estiver... Bem, se ainda estiver vivo.

     Me sinto exausta e minha respiração está precária. Yago também foi atingido pelo fogo. Pelo visto Sarah também venceu-o em combate. Parecia abatido. Aos poucos as chamas são extinguidas e saímos daquela pequena sala onde aconteceu grandes coisas.

     - Agora acredita que estou do seu lado? - pergunta ele.

     - Sim. - respondo, seca.
     Em um rápido movimento troco de lugar. Vou para a direita de Yago e, como fiz há mais ou menos uns oito anos. Beijo-o sua face com um estalido molhado. Foi um ato um pouco forçado, mas tenho certeza de que ele gostou e eu também.

"Visão de Laryssa"



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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por ~ Bacon em 30/7/2013, 20:31

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Má Aceitação

     Aquela menina... Que um dia eu me apaixonei, quando pequeno, agora era grande, já era uma mulher e principalmente uma ótima dobradora de terra, assim como sempre foi. O tempo realmente parou, estacionou... Esperando a garota de cabelos rosados e portadora de lindos olhos azuis, que me faziam mergulhar em sua imensidão, como nunca tivera acontecido. Não existia nada que pudesse mudar isso, nada que tivesse me feito parar de me interessar nela, ou pelo menos de tentar estar ao seu lado. Até mesmo a feia derrota que tivemos, sabia que era algo passageiro, porém, mesmo sendo algo humilhante, não foi o bastante para deixar meu olhar e meus pensamentos escaparem de Laryssa.

    Aquela menina... Que um dia eu me apaixonei, quando pequeno, agora era grande, já era uma mulher e principalmente uma ótima dobradora de terra, assim como sempre foi. O tempo realmente parou, estacionou... Esperando a garota de cabelos rosados e portadora de lindos olhos azuis, que me faziam mergulhar em sua imensidão, como nunca tivera acontecido. Não existia nada que pudesse mudar isso, nada que tivesse me feito parar de me interessar nela, ou pelo menos de tentar estar ao seu lado. Até mesmo a feia derrota que tivemos, sabia que era algo passageiro, porém, mesmo sendo algo humilhante, não foi o bastante para deixar meu olhar e meus pensamentos escaparem de Laryssa.

    Podia sentir meus lábios se moverem, porém nenhuma palavra saia de minha boca, era como se eu assistisse a imagem dela ao meu lado, esperando o tempo passar para que ela sempre estivesse aqui, ou que seja onde for, comigo. Enfim pude me expressar de alguma maneira, um sorriso, acho que isso bastou, fora uma das poucas vezes que sorri após a partida dela, se tornando uma renegada. Bom... Agora era a minha vez de dizer isso a ela, mas de outra forma, não iria deixá-la ali, iria com ela, a todo custo.

    - Laryssa... – disse o nome da garota, brevemente – Agora eu que te digo... Serei um renegado. – fora um tanto seco, querendo ser o mais breve possível.

    - Hunf. – se limitou a resmungar, a rosada. – Pensei que seria mais rápido em dizer isso, Yago.

    A única coisa que pude fazer naquele momento, foi abraçá-la e rir. Estava realmente acabado, cansado, machucado e tudo que podia se sentir ao reencontrar alguém que não via fazia um bom tempo... Anos já, muitos.

    - Sabe. – sorri puxando a cabeça dela para meu peito. – Senti sua falta, mas não ache que eu sou assim... Farei tudo, o possível e o impossível para te ajudar em sua missão, mas principalmente...

    - Cale-se, vai. – Lary me cortou, bom, pelo menos eu não tive que dizer algo que talvez mostrasse meu lado fraco. – Tem gente que pode estar em perigo.

    - É. Rafael, não é mesmo? Aquele órfão. – disse, eu com uma foz rouca e forte, que sempre tive.

    - Sim... As duas disseram que ele estava fora de seu caminho, estou preocupada. – ela olhava para mim com um rosto que mostrava bastante sua preocupação, suas expressões deixavam aquilo bem amostra.

    - Venha. – me limitei a apoiar ela em meu ombro, começando a andar, de encontro com a porta, ou pelo menos onde ela deveria estar, fora destruída por aquelas duas. A hora delas iria chegar.

    Andamos por algum tempo, atrás daquele garoto, apenas podia ver alguma gotas de sangue no chão, aquilo estava bastante estranho, logo avistava um pingente, era de Nando, mas o que ele fazia ali? Rapidamente abaixei meu corpo pegando o objeto e o guardando, talvez uma hora aquilo fosse útil.

    Segui a caminhar puxando Laryssa comigo, até que enfim via, ou melhor, apenas o sinto ali. Conhecia o lugar como poucos conheciam, aquele rastro de água era realmente a pista mais óbvia de um dobrador de água, precisava nem que fosse de uma gota e ali tinha bastante. Foi simples, só seguimos a trilha e logo encontramos o jovem vasculhando a sala de Nando, assim
minhas suspeitas foram corretas.

    O dia estava realmente surpreendente, não esperava que o dobrador de fogo perdesse para aquele jovem Rafael, ele deveria ter usado muito suas forças, mesmo tendo a água em seu controle, existia um grande abismo entre a experiência de ambos.

    - Rafa! Você está bem! – disse a garota que se soltava de mim e ia mancando até o garoto mais novo que se localizava a poucos metros.

    - Sai da frente, Lary. – disse o garoto, um tanto seco, com a espada de Nando em mãos, já sabia o que o jovem iria fazer. Era muito previsível. – Maldito!

    Em milésimos de segundo, pude ver o movimento de Rafael, vindo para cima de mim com a espada, devia estar cansado para dobrar a água então foi tentar um golpe físico, que por sua sorte não deu certo, se tivesse, não teria piedade do menino.

    - Ainda não. – novamente disse pouco, mas o suficiente, agarrando a lamina da espada e jogando-a juntamente com o rebelde em uma parede do lado de fora da sala. – Além de matar o Nando, você ainda rouba as coisas dele?

    - Arg! – apenas resmungou, o jovem.

    - Espera Yago. – falou a garota, um pouco preocupada, mas logo estendi um braço parando o andar dela até Rafael.

    - Deixe, ele vai se levantar, tenho certeza, se esse garoto pode derrotar o Nando, isso que eu acabei de fazer não foi nada além de um simples beliscão em seu braço. – fui seco e andei até o dobrador de água, abaixando ao seu lado. – Sabe... Você ganhou meu respeito, mas não pense que vai poder fazer essas coisas comigo. Sei que você me achou um risco e te dou razão por isso. Mas acalme-se, estou do seu lado agora. – fui um pouco longe agora, mas quis explicá-lo pelo menos o básico.

    Assim como deveria ser, ele negou minha mão esticada, dando um tapa nela e se levantando, sem soltar a espada, não iria tirá-la dele, mas tinha que pelo menos lhe ensinar algumas coisas sobre ela mais tarde. Levantei-me, seguindo o olhar dela, que agora vinha em meus olhos, era como que estivesse me fuzilando mentalmente, porém isso era normal, nada demais.

    E assim... Bom, assim se passou uma semana desde aquele dia. Estava dado como morto, parece que Yanna e Sarah realmente acharam que eu tinha morrido após o ataque delas, porém elas estavam muito enganadas. Nesse meio tempo, tive meus machucados curados por Rafael, assim como Laryssa, mas parecia que o jovem ainda não me aceitava tão bem entre eles, o garoto devia estar acostumado a viver só com a Lary. Eu tinha inveja dele de algum modo, por não ser eu ao lado dela sempre
naqueles anos, mas isso é algo insignificante, perto do que ainda teremos pela frente.

    A noite estava caindo, as barracas estavam feitas e uma fogueira era feita por mim, pelo menos não seria necessário nenhum tipo de “mandinga” para que o fogo aparecesse, apenas era eu fazê-lo aparecer sobre os galhos secos.

   - Rafa. – me dirigi ao garoto, puxando a espada que ele não soltava de forma alguma, ignorava o corte que ela me causava na mão depois de pegar em sua lamina novamente, ela era do elemento fogo e assim não fazia nada comigo, mas talvez fosse perigoso para ele se usar de forma errado. – Tens que tomar cuidado com essa espada. Você vê essa pedra? – mostrou com o dedo uma pedra vermelha, bem brilhante.

    - Sim, mas e daí? EI! PERA, DEVOLVE MINHA ESPADA! – o jovem pulou em minha direção, mas como sempre, consegui desviar, ele teimava em fazer isso muitas vezes até se cansar. – Tá... Desisto, fale o que tem essa tal pedrinha ai.

   - Até que enfim... – ri um pouco olhando para o jovem e depois olhando para Laryssa e sorrindo para ela, logo voltando para ele. – Isso pode te queimar feio. A espada adquire o elemento fogo com essa pedra, existe outra, uma azul, assim pode ser usada com o poder da água. Mesmo eu achando que com treino você poderia aprender pelo menos soltar alguma faísca com isso sem se queimar. – expliquei devolvendo-a para o garoto.

    - Interessante. – fora a única coisa que Laryssa disse ao ver aquilo. – Não sabia da existência dessas tais pedras e tudo mais.

    - Poucos sabem, não é algo que é facilmente encontrado. Mas eu tenho outras duas pedras, além da de fogo que está nesse pingente. – mostrei para ambos o pingente vermelho e logo voltei a falar. – Tem essa... Que eu mesmo escondi dentro do pingente do Nando. Ela possui o poder do ar. – retirou o pingente quase transparente de uma mochila mostrando para eles.

    - Woa! Eu quero! – exclamou sem pensar duas vezes, o dobrador de água.

    - Rafa... Pare de ser afobado. – repreendeu a garota de cabelos rosados, Laryssa. – Desculpe Yago... Continue.

    - Tudo bem, Lary. – disse rindo um pouco e pegando o meu pingente de fogo e entregando nas mãos da garota. – É seu. – sorri voltando para meu lugar, sentado e olhando para Rafael. – Não é seu. É meu. Você já tem esse ai, depois só te ensino há usar, a mesma coisa para você Lary. – voltou o olhar para a menina, pondo agora o colar do ar no próprio pescoço.

    - Maldito dobrador do fogo... – suspirou o jovem. – Poderia ter arranjado algum menos pão duro comigo, não é Laryssa?

    - Ele é um bom homem, Rafa... Você verá isso. – sorriu para nós dois. – Mas você sabe usar esse do ar, Yago?

    Engoli a seco e ri baixo. – Mais ou menos, pelo menos eu sei extinguir o oxigênio de uma pequena área... Já é um começo. Assim como treinarei vocês a usarem, eu me treinarei também, será bem útil.

    Rafael ficou em um silêncio um tanto amedrontador, dava até calafrios, ele parecia não gostar de mim, realmente lhe dava razão, mas esperava diminuir a rudez daquele garoto aos poucos. Em seguida Laryssa apertou o pingente que dei para ela e colocou em seu próprio pescoço, apenas o jovem não fez isso, pois a pedra estava presa na espada, seria mais complicado ensinar algo assim, mas creio que conseguirei.

    - Boa noite... - Em um breve momento, apenas sorri para eles, queria poder ficar mais perto de Laryssa, mas eu travava sempre que tentava... Vergonha? Timidez? Não sei.

Com um estalo de dedos apaguei o fogo, deixando tudo às escuras e pulando para dentro do meu saco de dormir. Esperava que ambos os outros fizessem isso, o dia seguinte seria bastante puxado.



"Visão de Yago"



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Re: ► A Lenda dos Renegados ◄

Postado por Yatogami em 1/8/2013, 23:15

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O Noticiário

     "São tempos sombrios" dizia uma voz, na televisão a cabo "Nosso tão temido Comandante da Marinha, Yago, bisneto de Zuko, ambos grandes dobradores de fogo, morreu semana passada em um atentado contra o mesmo."
     "Os assassinos? É fácil responder: Laryssa e Rafael, dobradores renegados à sua pátria. Estão ficando conhecidos pelo mundo inteiro por seus grandes feitos, mas ninguém nunca os viu. Mataram o Comandante impiedosamente, segundo as prestativas Guardas do Avatar, Sarah e Yanna. Elas estiveram lá, mas era tarde de mais, afirmaram."
     Levanto-me e vou até a cozinha de nossa caverna. Sim, estamos no esconderijo mais estratégico no momento. Nossa casa é em uma enorme montanha onde os cidadãos acreditam habitar espíritos, ou seja, se mantém longe dela. Possivelmente há muitos espíritos aqui, mas Laryssa, Yago e eu não temos medo disso.
     - Vocês viram o noticiário? - pergunto, curioso para ambos.
     - Não - responde o dobrador de fogo, do qual não tenho muita vontade de morar de baixo do "mesmo teto".
     - Laryssa e eu te matamos e fugimos, segundo Yanna e Alice. 
     - Interessante - diz a única moça do grupo.
     - Que estava morto eu já sabia, mas não que havia sido por vocês dois - diz em um tom irônico.
     Rimos por pouco tempo. Acho que foi a primeira vez. Fazia falta, este tal de sorriso. Volto para a televisão com a intenção de saber mais notícias sobre o que vem ocorrendo da Cidade da República.
     "E agora, como nosso notícia final, a mais importante!" dizia o jornalista "Os tão bem sucedidos Irmãos do Ar tomarão o poder de Comandantes da Marinha a partir do dia de amanhã. Foi uma longa busca, mas estes eram os melhores concorrentes ao cargo após Yago, que morreu bravamente tentando salvar a pátria. Lucas e Ashley sempre foram grandes concorrentes, mas apenas agora demonstraram seus verdadeiros poderes."
     - Quem são os Irmãos do Ar? - pergunto gritando para quem souber me responder.
     - Lucas e Ashley são praticamente os únicos dobradores de ar.  Atualmente é uma dobra muito rara, você deve saber o que aconteceu no passado... Eles são filhos de Jinora, a filha mais velha de Tenzin, filho do Avatar Aang. - comenta Yago com o tom de voz um pouco mais alto para eu escutar perfeitamente - São ótimas pessoas, pelo que soube. Nunca os vi, mas sei que são extremamente poderosos. Os ter como inimigos não será algo bom.
     Perfeito, penso. Mais dois para serem nossos oponentes. Quando isso irá acabar?! Ninguém nota o quanto essa Avatar é ruim? Ou estaríamos nós errados...? Quando era apenas Laryssa e eu, muitas vezes me passava pela cabeça que a menina estava louca; em telejornais apareciam os feitos da Avatar, que ninguém nunca viu a face, muito menos sabiam se era um homem ou uma mulher atrás deste imenso poderio.
     Já agora, com Yago junto a nós me questiono as coisas horríveis que esta mulher deve ter feito. Quero saber mais, quero descobrir mais sobre meu passado, sobre tudo o que aconteceu antigamente. Mas, ao mesmo tempo, quero vivenciar o presente e imaginar o futuro. Nestas circunstâncias, é quase impossível fazer os três juntos.
     Ouço cochichos vindos da cozinha. Já me acostumei um pouco com isso. Desde que Yago chegou tem sido assim. Quase não falam mais comigo, muito menos contar o que está acontecendo. Antes eu sempre era informado do próximo passo que daríamos ou que não daríamos. Agora não recebo nem as horas. Este é um dos motivos por não aceitar o dobrador de fogo em nosso "clã".
     Mil coisas já me passaram pela cabeça sobre o que eles podem estar conversando. A primeira que sempre vem é sobre mim, depois penso que eles estão namorando, depois que estão brigando. É algo muito confuso de se explicar.
     Volto minha atenção para a televisão, que ainda insistia na notícia. "Uma equipe de busca apenas de dobradores d'água irá rastrear o mar em busca de algum corpo, se é que restou algo dos falecidos."
     Um pequeno sorriso se forma em meus lábios. Com certeza irão encontrar o corpo de Fernando, o homem que matei. Isso é tão bom quanto ruim. Bom porque eu fiz algo; ruim porque podem descobrir algo.
     Após isso, desligo o aparelho televisivo e vou para o que chamo de quarto. Haviam três camas, agora todas amontoadas com a chegada de Yago. Saqueamos camas regularmente, assim como roupas e qualquer outro suprimento preciso. As vezes compramos alguns, mas aparecer em lojas em dias como estes tem sido difícil.
     Vivemos literalmente como renegados. Era para nós fazermos apenas o bem para a sociedade, mas acabamos fazendo o contrário. Agora somos muito conhecidos por fazer maldades. Quem acreditará que o Avatar, uma nobre pessoa é capaz de fazer o que faz?
     Se você ainda não sabe, Alice é responsável pelos maiores e mais bem estruturados crimes da cidade. Ela nunca está envolvida, mas manda capangas fazerem os trabalhos sujos e, os que não são espertos acabam se dando mal.
     Deito em minha cama e me tapo superficialmente, não estou com frio como no dia em que Laryssa me conheceu. Adormeço e por plena sorte não tenho nenhum pesadelo. E, para meu azar, não tenho nenhum sonho também.
     Sou acordado com lindos olhos azuis me fitando, enquanto a dona destes me sacudia levemente sussurrando "Acorde, acorde!". Aos poucos vou me desencantando do tranquilo sono que me rondava. Me arrumo e escuro Laryssa dizer:
     - Vamos lá fora treinar!
     Sair ao ar livre para treinar?! Isso é algo raro! Treinar ao ar livre é a melhor coisa que podemos fazer agora. Enquanto todos estão concentrados no mar, podemos muito bem treinar a vontade sobre a montanha que fica nosso lar... doce lar.
     Visto minhas vestes da Tribo da Água do Norte. Comprei-a em uma lojinha barata faz um tempo. Nem sei se é "oficial", mas faz-me sentir em casa. É uma sensação tão nostálgica... Saio da caverna e vou escalando a montanha aos poucos; não era muito íngreme.
     - Não está com calor? - pergunta Yago com uma face confusa.
     - Deixe-o - diz Laryssa com uma piscadela para o dobrador de fogo, o que indicava que depois ela explicaria...
     Finjo que não noto e continuo, esperando instruções para o treino. Primeiramente retiro a água da natureza, que é um pouco rarefeita em lugares altos como este, mas consigo uma grande quantia. Transformo-a em gelo e depois em água novamente; após isso em vapor. Tudo em menos de cinco segundos. Tenho certeza de que não sou o pior e isso me faz sentir melhor.
     Após todos nós nos exibirmos um pouco um para o outro, Laryssa para, pensa e diz:
     - Quem sabe não criamos um combo?! - diz, feliz da vida.
     - Acho que é nossa única opção - diz Yago.
     - Por quê? - digo, sem entender a brincadeira dos dois.
     Yago aponta o dedo indicador para o início - ou final, depende do ponto de vista - da trilhazinha que traz até o pico da montanha, onde estamos. Lá haviam três homens com os uniformes da Marinha. Parecem ser os menos importantes, pois as roupas são simples. Cada um com uma cor. Uma marrom, outra azul e uma vermelha. Suponho que isso correspondam à suas dobras.
     - Aqui vou eu! - diz Laryssa, erguendo seus braços aparentemente tão frágeis e incapazes. De súbito a terra que estava sobre os dobradores ergue-se e os prende no ar. Em seguida, com um mínimo intervalo de tempo mais quatro partes de terra se erguem e encaixam-se na primeira. Apenas o "teto" ainda falta. Isso é facilmente descoberto quando a terra que está sobre meus pés começa a se mexer e entendo exatamente o que fazer.
     - Pode deixar! - sou levado pelo bloco de terra até perto do cubo que Laryssa formou. Procuro a água por toda a extensão e dobro-a até o cubo onde os outros dobradores estavam. Levo a água até lá e preencho tudo, dando um pulo para sair da parte de terra que Laryssa estava dobrando.
     O cubo está totalmente fechado e, em uma fração de segundo, Yago está sobre ele, que agora flutua, usando seu fogo para aquecer a terra para aquecer a água e deixá-la pelando de quente, causando queimaduras nos inimigos e talvez até matando-os por afogamento ou falta de ar.
     Tento sentir a água dali. Restou muito pouca, a maioria passou para o estado gasoso graças ao calor que as chamas de Yago irradiaram. Tento sentir a presença de algo vivo vindo dali, mas a única coisa que se meche é o vapor, querendo sair daquele horrível lugar.
     Laryssa dobra todos os paredões. Devolvo a água utilizada para a natureza e vou ver o estrago que causamos.
     - Perfeito! - diz Laryssa -  Podemos usar os uniformes deles para nos infiltrar na Marinha! Os três possuem nossas dobras, então será algo fácil de se fazer. Estaremos prontos para a infiltração em dois dias. Combinado?
     - Sim! - respondo junto com Yago, com uma sensação de que alguma coisa dará errado.

...



danke ♣



Yatogami
Thanks Anny

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